Category Archives: ana pires quintais

O arquivo incompleto

http://vimeo.com/70248779

Ouça o podcast ou descarregue-o aqui.

Partindo da noção de “archival impulse” de Hal Foster (2004) e da de “pós-memória” de Marianne Hirsch (1997), passando pelo “mal d’archive” de Jacques Derrida (1995) e por Austerlitz (2001) de W. G. Sebald, reflecte-se sobre a ideia de arquivo e pós-memória na arte e literatura contemporâneas através da análise de uma imagem da série Terezín (2010), do fotógrafo português Daniel Blaufuks.

Biografia:

Ana Pires Quintais é mestre em Psicologia e doutoranda em Linguagens e Heterodoxias pela Faculdade de Letras e Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Actualmente encontra-se a escrever a sua dissertação de doutoramento na qual explora as relações entre literatura, imagem e pós-memória na obra artística de Daniel Blaufuks.
Últimas publicações:
(no prelo). “Tracing an Absent Memory: Jonathan Safran Foer’s Everything Is Illuminated and Susan Silas’s Helmbrechts Walk 1998-2003″. In Discourses That Matter. Cambridge Publishing Scholars.
(2013). “Postmemory and Art in the Urban Space”. In Nancy Duxbury (Org.) Rethinking Urban Inclusion. Spaces, Mobilizations, Interventions. Cescontexto – Debates, no. 2. Coimbra: Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, pp. 505-511.

O mundo em reverso ou Time’s Arrow de Martin Amis

christian boltanski . autel de lycée chases [furnace bridge of chases high school], 1986 – 1987

A estrutura narrativa do romance de Martin Amis, Time’s Arrow or The Nature of the Offense (1992) é desenvolvida a partir da possibilidade de um tempo em reverso e através de uma personagem sem memória (Tod Friendly), que mais tarde se revela ser uma figura que colaborou com os nazis no campo de extermínio de Auschwitz. Esta narrativa parece prestar-se à reflexão no contexto dos actuais debates dentro da História, da sua ligação com os estudos sobre a memória e do Holocausto como evento de um passado qui ne passe pas. Continuar a ler

Immemory ou a arte da memória

Chris Marker

Chris Marker, nascido Christian François Bouche-Villeneuve no dia 29 de Julho de 1921 em Neuilly-sur-Seine, França, realizador de cinema, fotógrafo, viajante, artista multimédia, etnógrafo, escritor.Colocado a par de François Truffaut, Akira Kurosawa, Jean-Luc Godard, Alain Resnais, Chris Marker diferencia-se pela construção de uma aura de mistério em redor da sua pessoa, fruto da dificuldade em encontrar os seus filmes no mercado, da indisponibilidade para entrevistas e dos raros retratos fotográficos existentes. Afincadamente evita qualquer tipo de publicidade e ao pedido de imagens da sua pessoa envia frequentemente um desenho de um gato (Guillaume-en-Egypte).

La jetée

La jetée (1962), porventura o seu trabalho mais conhecido, denuncia, desde logo, a sua aproximação, dir-se-ia obsessiva, à memória. Ela é motivo e causa de um trabalho que parece muito pouco preocupado em cingir-se formalmente a géneros. A sua transversalidade e reflexividade permanentes – em que fragmentos procuram aceder a um hólos, pese embora a consciência dessa impossibilidade – tornam-se particularmente nítidos em Immemory. Continuar a ler

Apresentação

Gilles Deleuze

«Tem-se a impressão de que o ideal da ciência já não é axiomático ou estrutural. Uma axiomática era a obtenção de uma estrutura que tornava homogéneos ou homólogos os elementos variáveis aos quais se aplicava. Era uma operação de recodificação, um restabelecimento de ordem nas ciências. Porque a ciência nunca deixou de delirar, de fazer passar fluxos de conhecimentos e de objectos totalmente desqualificados segundo linhas de fuga que iam sempre mais longe. Há pois toda uma política que exige que essas linhas sejam colmatadas e que uma ordem seja estabelecida. (…) É que a ciência devém cada vez mais ciência e acontecimentos, em vez de permanecer estrutural. Traça linhas e percursos, faz saltos, em vez de construir axiomáticas. O desaparecimento dos esquemas de arborescência em benefício de movimentos rizomáticos é disso um sinal. (…) Já não é uma estrutura que enquadra domínios isomórficos, é um acontecimento que atravessa domínios irredutíveis». – Gilles Deleuze & Claire Parnet (2004), Diálogos, Lisboa, Relógio D’ Água, p. 86.

Gilles Deleuze, o filósofo da complexidade, da ensamblagem e/ou agenciamento serve de mote para a apresentação por Luís Quintais do grupo de discussão Milplanaltos, um colectivo que apela para a procura de ligações entre as várias disciplinas, interesses e áreas que potenciam o conhecimento. Conhecimento esse que se pretende em rede, tal como no modelo (e mais especificamente através do conceito de rizoma) desenvolvido por Deleuze, um conhecimento que se “espalhe” de forma horizontal, abandonando desde já uma ultrapassada perspectiva daquele como estrutura hierarquizada, vertical, enunciando vícios de poderes estabelecidos. Continuar a ler

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