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À PROCURA DE WITTGENSTEIN

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http://vimeo.com/43041858

Se, segundo o seu biógrafo Ray Monk, a primeira pergunta com a qual Wittgenstein chocou, aos catorze anos – já que ele repete várias vezes que não procura os problemas, os problemas é que vêm ter com ele atrapalhando a sua vida – porque dizer a verdade se me é conveniente mentir? Então há duas coisas a notar: primeiro, não é por acaso que se trata de um problema prático, ético, e não teórico, e, segundo, é uma pergunta que impõe ser respondida não de maneira filosófica, segundo alguma regra de uma qualquer teoria Ética, à qual Wittgenstein nega a possibilidade de existir, mas de uma maneira religiosa: Não devo mentir porque isso fere o divino em mim.

Pedro Paixão_Pedro Paixão nasceu em Lisboa no mês de Fevereiro de 1956. A mãe, farmacêutica, nasceu em Pawtucket, Rhode Island, E.U.A. O pai, engenheiro agrónomo, nasceu na Abrunhosa do Mato, uma aldeia da Beira Alta. Tem uma irmã e uma sobrinha. É casado pela quarta vez e tem um filho. Foi aluno do liceu francês Charles Lepierre, do liceu Pedro Nunes e frequentou durante três anos o Instituto Superior de Economia. Estudou em Lovaina e Heidelberga, entre outras disciplinas, Filosofia, tendo-se doutorado aos 29 anos. Trabalhou para a fundação do semanário ‘O Independente’ que abandonou ao sétimo número. Em 1989, com Miguel Esteves Cardoso, fundou a agência Massa Cinzenta, Empresa de Ideias da qual foi sócio gerente até 1995. Foi professor de Filosofia na Universidade Nova de Lisboa, mas desistiu da carreira académica. Publicou 21 livros e 2 álbuns de fotografia. Escreveu dois textos para teatro e um para ópera. Começou a escrever guiões para filmes. Nunca recebeu qualquer prémio, nem foi escolhido para representar o seu país. Foi membro de uma organização política clandestina que abandonou em 1974, pouco tempo depois de ser legalizada. Nunca votou. Não é membro de qualquer associação, clube, partido ou irgeja. Nada no mar quase todos os dias do ano.

Ouça o podcast ou descarregue-o aqui.

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Coimbra, século deposto

Para Pedro Paixão

Lembro-me dele à procura de Inez
na cidade pequena
de província,

tão solene, tão sem princípios.
Guiava furiosamente,
precipitamente

no encalço de Inez:
«Vamos à vida, porque a morte
é certa, meu querido amigo».

Melhor seria esse fim,
o da escrita, como se testemunhasse
os últimos dias na terra

e quisesse ainda habitar a alegria
de poder contá-los.
Hoje, tantos anos depois, a sua voz

estala como lenha no Inverno
e sacode-me
como música esquecida,

violência onde se sonha
toda a história, a que passa por nós,
a que sem bagagem nos levará

até à desmedida fronteira.
Vociferam os deuses no descampado,
cresce a erva, agonizam metais e sombras.

Vivemos depois do fim
e continuamos à procura de Inez,
os dois, como se algo nos teimasse

em fugir e guiássemos, ambos,
furiosamente, precipitamente
para lá, até lá.

Haverá ainda música para nós
e a música será o lugar do justo e do bom,
o início improvável que aqui nos trouxe.

Luís Quintais, 30. 04. 2012

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