PARA QUE SERVE UM FILHOTE DE ROBÔ SE ELE NÃO PASSAR O TESTE ALVES DOS REIS PARA A INTELIGÊNCIA INSTITUCIONAL?

porfírio silva

http://vimeo.com/34337513

Estávamos habituados a que as máquinas saíam feitas das mãos dos humanos. Entretanto, certas experiências em Nova Robótica terão talvez a potencialidade de nos surpreender neste ponto, espoletando processos que resultem em robôs que os seus criadores não conhecem tão intimamente como se espera que o engenheiro conheça o controlo das suas máquinas. Referimo-nos aos robôs que resultam de processos de evolução artificial ou de desenvolvimento “pós-natal” artificial. Daremos, como exemplo, o robô iCub, desenvolvido por uma equipa internacional de que o ISR/IST é um dos parceiros. Se pode vir daí grande novidade, teremos de contar com os que temem – ou anseiam – o momento em que os robôs possam ser agentes entre humanos ao mesmo título que os humanos. A esses diremos que, para esses robôs serem tal, terão de ser capazes de instituição – de viver em ambientes institucionais com humanos. Seguimos John Searle para dizer o que é “instituição” e acompanhamo-lo na ideia de que só há instituições, na forma em que as caracteriza, nas sociedades humanas. Exploramos essa possível divergência com estudiosos de sociedades de outros primatas com a ajuda de um episódio notável do século XX português, o “caso Alves dos Reis”, cujo nome empregamos num “teste de inteligência” muito diferente do teste de Turing.

Porfírio Silva_É licenciado e mestre em Filosofia. Doutorou-se em Epistemologia e Filosofia das Ciências, em 2007, com uma tese sobre as ciências do artificial como ciências do humano. Foi Investigador Visitante no Institut Supérieur de Philosophie, da Université Catholique de Louvain, e na Facultad de Filosofía da Universidad Complutense de Madrid. É actualmente investigador no Instituto de Sistemas e Robótica (pólo do Instituto Superior Técnico), como bolseiro de pós-doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Aí, tem sido organizador dos Ciclos de Conferências com o título genérico «Das Sociedades Humanas às Sociedades Artificiais», actividade multidisciplinar que vai em 2011 para a terceira edição. Publicou A Filosofia da Ciência de Paul Feyerabend (1998, Piaget), A Cibernética: Onde os Reinos se Fundem (2007, Quasi) e Das Sociedades Humanas às Sociedades Artificiais (2011, Âncora).

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