
«A intenção de Benjamin era renunciar a toda a interpretação manifesta, fazendo com que as significações se impusessem apenas através da contrastada montage do material. (…) Para coroar o anti-subjectivismo, toda a obra tinha de constar de citações.» (Theodor W. Adorno, «Caracterização de Walter Benjamin», 1955: 23)
«E eu não tenho, de modo algum, tempo para essas coisas. A razão, meu amigo, aqui a tens: ainda não fui capaz, como manda a inscrição délfica, de me conhecer a mim mesmo. Parece-me ridículo que, desconhecedor ainda dessa realidade, me dedique ao exame do que me é estranho.» (Platão, Fedro, s/d: 31)
«Mas conhecer os homens, e conhecer-nos a nós próprios, estar atentos às nossas emoções, em todas indagar e amar os caminhos mais planos e curtos da natureza, julgar cada coisa de acordo com a respectiva intenção: isto é o que aprendemos no convívio com ele; isto é o que Eurípedes aprendeu com Sócrates, e que fez dele o primeiro na sua arte. Feliz o poeta que tem um amigo assim, e que se pode aconselhar com ele todos os dias, a qualquer hora!» (Gotthold Ephraim Lessing, Dramaturgia de Hamburgo, 1767-8: 81)
«– Estás a pensar? – perguntou.
– Não – respondeu a miúda.
– Então pensa – disse Madame von Bartmann com uma voz forte, voltando-se para ela. – Pensa em tudo, o bom, o mau, o indiferente; em tudo, e faz tudo, tudo! Antes de morrer, tenta saber o que és.» (Djuna Barnes, Uma Noite entre os Cavalos, 1929: 21)
«Em relação aos outros só me resta: adivinhar.
– Conhece-te a ti próprio!
Eu já me conheço. E isso não me facilita em nada o conhecimento do outro. Pelo contrário, quando começo a avaliar alguém de acordo comigo própria, surge um mal entendido após outro.» (Marina Tsvietaieva, Indícios Terrestres, 1919: 64-5)
«O problema és tu. E não se vislumbra um aluno para o resolver.» (Franz Kafka, Considerações sobre o Pecado, o Sofrimento, a Esperança e o Verdadeiro Caminho, s/d: 16)
«chamar-te-ão “o que se conheceu a si mesmo”. Porque o que não se conheceu a si mesmo não conheceu nada, mas o que se conheceu a si mesmo começou já a ter conhecimento sobre a profundidade do Todo.» (Livro de Tomé, o Atleta, s/d: 264)
«colocar no átomo o “conhece-te a ti mesmo”.» (Gonçalo M. Tavares, Livro da Dança, 2001: 100)
«o Reino está dentro de vós e está fora de vós. Quando vos chegueis a conhecer a vós próprios, então sereis conhecidos e sabereis que vós sois os filhos do Pai vivente. Mas se vós não vos conhecerdes, então ficareis na pobreza e sereis a pobreza.» (Evangelho de Tomé, s/d: 81-2)
«Mas aquele que soube descobrir-se a si mesmo proclama: “Este é o meu bem, este é o meu mal.” Com isso tapou a boca à toupeira, ao anão que diz: “Um único bem para todos, um único mal para todos.”» (Friedrich Nietzsche, Assim Falava Zaratustra, III, 1884: 217)
«Não é necessário que todo aquele que possui tudo conheça tudo?» (Evangelho de Filipe, s/d: 47)
«Se tivesse a tolice de se perguntar “quem sou eu?” cairia estatelada e em cheio no chão. É que “quem sou eu?” provoca necessidade. E como satisfazer a necessidade? Quem se indaga é incompleto.» (Clarice Lispector, A Hora da Estrela, 1977: 18)
«Conhece-te a ti mesmo. Máxima tão perniciosa quanto hedionda. Quem se observe a si próprio paralisa o seu desenvolvimento. A lagarta que procurasse “conhecer-se a si própria” nunca se tornaria borboleta.» (André Gide, Os Novos Alimentos, 1935: 222)
«Não concordo que a diagnose seja “estática” ou o “conhece-te a ti mesmo” um conselho à quiescência.» (Ezra Pound, Patria Mia, 1950: 39)
«Só uma vez se fez uma trágica pergunta: quem sou eu? Assustou-se tanto que parou completamente de pensar. Mas eu, que não chego a ser ela, sinto que vivo para nada. Sou gratuito e pago as contas de luz, gás e telefone. Quanto a ela, até mesmo de vez em quando ao receber o salário comprava uma rosa.» (Clarice Lispector, A Hora da Estrela, 1977: 36)
«Nós, os investigadores do conhecimento, desconhecemo-nos. E é claro: pois se nunca nos procurámos, como havíamos de nos encontrar?» (Friedrich Nietzsche, A Genealogia da Moral, 1887: 9)
«e não foi em vão que disse a mim próprio noutro tempo: “Torna-te no que és.”» (Friedrich Nietzsche, Assim Falava Zaratustra, IV, 1885: 266)
«Caro J.K.,
(…)
O que fazes na vida, ou seja, não só como artista, mas também como homem, marido e pai, amigo, vizinho, etc., tudo isso se aprecia em função do “sentido” eterno do mundo e segundo os critérios da justiça eterna, não por referência a qualquer medida estabelecida, mas aplicando aos teus actos a tua própria medida, única e pessoal. Quando Deus te julgar, não te perguntará: “Foste um Hodler, um Picasso, um Pestalozzi, um Gotthelf?” Mas perguntar-te-á: “Foste e és realmente aquele J.K. para o qual herdaste determinados dons?” Perante tal questão, nunca homem algum evocará sem vergonha e sem terror a sua existência e os seus erros; quando muito, poderá responder: “Não, não fui esse homem, mas ao menos esforcei-me por tornar-me nele, na medida das minhas forças.” E se ele puder dizê-lo sinceramente, estará então justificado e sairá vencedor desta prova.» (Hermann Hesse, Carta a um Jovem Artista, 1949: 9-10)
«Num tom pré-nietzschiano, o Rabino Zusya de Hanipol exortou vivamente: “No outro mundo, não me vão perguntar: ‘Por que não foste Moisés?’ Vão perguntar-me: ‘Por que não foste Zusya?’”» (George Steiner, As Lições dos Mestres, 2003: 127)
«Na verdade, também eu aprendi a esperar, mas a esperar-me a mim mesmo.» (Friedrich Nietzsche, Assim Falava Zaratustra, III, 1884: 218)
Pedro Eiras
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